Um dia como outro qualquer, o esgotamento do trabalho se fazia presente em minhas pálpebras, meus olhos cansados e vermelhos já reclamavam as merecidas horas de sono que ainda demorariam a vir. O turno prolongado de trabalho agora se tornava uma constante, e estendia-me nos afazeres até longas horas da noite adentro. Quando deu por finalizada minhas atividades encontrei-me carregando o, sobretudo surrado, pois a brisa da manhã de inverno agora se tornara um emaranhado de lufadas gélidas sobre um corpo cansado.
Em direção ao transporte de trilhos, nas catacumbas urbanas conhecidas como metrô, adentrei olhando para todos os lados o ambiente quase deserto, se não fosse por um senhor bêbado em um canto do saguão de espera e um homem ainda a terminar suas tarefas de limpeza das estações. Aguardava ansioso a vinda do trem que me levaria para casa, só levando minha mente para a cama que me aguardava, e os lençóis que me guardariam toda a noite. Perdido em meus pensamentos, absorto foi quando tomei um susto ao ver uma sombra projetar-se de túnel afora em direção a minha pessoa, e depois de ver olhos vermelhos, mas de um vermelho profundo e macabro, eu só conseguia identificar a escuridão a tomar conta de minha mente.
Longas horas se passaram, pelo menos assim achei, quando me deixei acordar estremecido e úmido pelo suor expelido, e estranhamente estava em minha cama. Mas não me lembrava de como chegará lá, será que a jornada de trabalho tinha sido forçada demais a ponto de deixar meu corpo entorpecido e apagar de minha mente os momentos finais de um dia anterior?
Foi quando outro susto se abateu sobre mim, ao olhar no relógio digital por sobre a mesa pude perceber, que não havia se passado 1 dia, mas sim uma semana inteira que passei em êxtase.
Levantei de súbito inconformado e com um medo a correr por meu corpo, com o coração aceleração e as mãos tremulas e frias, pensando em como poderia aquilo ter ocorrido. Será que perdera meu emprego? Por que não me ligaram para saber o que havia acontecido comigo?
Indo de encontro até o banheiro de meu apartamento, fui direto até o espelho para ver minha face, e o que o espanto tomou conta de toda minha alma, ao olhar no espelho não via mais meus olhos que outrora eram castanhos, e sim olhos lilases, quase vítreos. Ao levar as mãos sobre o rosto que não conseguia reconhecer, apesar de ser meu próprio rosto com alguma coisa diferente, olhei o reflexo de minhas mãos e minhas unhas também tomavam aspectos diferenciados, não mais tinha unhas aparadas, mas garras.
Dei um urro em meio a convulsão daquele pesadelo em que me metia e comecei a gritar, quebrando e agredindo todos os materiais possíveis em meu caminho, quando finalmente deu por satisfeita a minha fúria se cessou e em prantos abafados no chão ousei olhar-me mais uma vez no espelho e pude ver que meus olhos voltavam a sua cor original, e as garras voltavam a serem mãos humanas.
Aliviado pelo fato de ser apenas uma alucinação causada pelo stress talvez de muitos dias de jornada dobrada de trabalho, me virei para retornar ao meu quarto, quando novamente todo o pesadelo tomou forma, e uma figura equilibrada como uma ave no encosto de minha cama me olhava com um sorriso malicioso no olhar e dizia: “- Bem vindo ao mundo real Khaliel!.”.
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Quando a sensação de vazio preenche a alma é muito recorrente, mas não eficiênte, tentar preencher esse espaço com materialismos e diversões.
Mas qual é o real motivo desse vazio?
A forma como o ser humano encara o mundo hoje em dia! CLARO!!
O grande conceito materialista que impera sobre toda a humanidade, agrega um defeito devastador na alma e na psique humana. Muito se reconfortam e se esfolam para conseguir as últimas novidades em questão de equipamentos de áudio/vídeo/som/game e afins. Contudo se esquecem do mais importante que é o cuidado sentimental.
Mas nem sempre podemos culpar também a "sociedade" por isso. Muito vem de nossas famílias que deveriam ser pilares de firmeza em nossos direcionamentos e ocupações, mas geralmente o desgaste e a falta de apoio vem justamente da família.
Onde estamos errando? É mais fácil acusar do que compreender. É muito mais fácil "avacalhar" do que ajudar.
Onde o mundo irá para se nem ao menos temos em quem confiar? Abra a mente e se torne confiável.
Existem sim pessoas falsas, alías existem muitas! Mas somos nós que temos a obrigação de "peneirar" as falsas-amizades e só deixar na nossa peneira as pedras preciosas.
Aprender a direção não é algo difícil, mas manter-se no caminho é um trabalho constante.
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