"(...) De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento. (...)"
(Vínicius de Morais)
A garganta fecha ao imaginar as cenas que me vêem a cabeça.
Por que o sentimento se tornou algo tão banalizado?
Poucas pessoas se preocupam com ele, vivendo na superficialidade das coisas. Desejando que um novo dia se abra sem ao menos se preocupar com o dia presente.
Pessoas gritam silenciosamente por AMOR. E onde está esse sentimento tão melindrado, desprezado e vilipendiado?
Algumas pessoas abafam o sentimento dentro do peito, só para terem taquicardia quando vêem outras trocarem afetos ou elogios pra pessoa desejada.
É só ver alguém se aproximar, mesmo que ele só queira aproveitar o superficial, seu coração se acelera, a pressão arterial vai às alturas, achamos que o peito já não nos cabe mais, o ar falta e parece que o chão some.
Isso é sentimento. E você se pergunta, nas noites mais escuras: "Ah! Se ela soubesse!".
Eu não quero só ficar riscando a superfície, vendo a casca e não aproveitando da polpa.
Quero estar nos momentos, nos princípios, nas idéias, na carne, na pele e na alma.
Quero acordar de madrugada com aquela cara amassada, e respirar profundamente ainda olhando o retrato da pessoa amada na cabeceira.
Quero tantas coisas que eu mesmo não sei o que quero!
Eu quero tudo!
Não adianta só repercutir, caminhar no parque de mãos dadas, mesmo quando você não é adepto das atividades físicas.
Fazer aquele macarrão de domingo, que mesmo todo grudento, é recebido com carinho.
Escrever milhares de poesias, versos e trocas mesmo que ela nunca leia.
Guardar todos cartões, cartinhas, bilhetes e acima de tudo olhares trocados no instante de um beijo apaixonado.
Colecionar o sentimento das mãos entrelaçadas, dos abraços onde os dois corações se unem como se ouvissem um a pulsação do outro, tentando sincronizar-se.
Gritar para todo mundo ouvir pela janela do carro o quanto o amor é lindo e você está feliz.
Chorar ao brigar, por ciúme bobo, daquele cara que deixou uma mensagem no celular dela. Mesmo você sabendo que ele é um idiota.
Mas acima de tudo fazer as pazes no outro dia, com um beijo pesado, um abraço apertado e um eu te amo apaixonado. Com sentido na vida.
E ainda digo: Ah! Se ela soubesse!
DR.
Despeço-me como um raio,
Parto em rumo ao desconhecido,
Rogando no Caminho o desejado,
Fim lúdico que via no princípio.
Marcando e marchando, meus passos,
Tornam-se a marca de uma vida,
Destinados a serem errados,
Ou merecidamente cogitados na sina.
Essa mesma dor que se acaba,
Ao adormecer de uma casinha sozinha,
Esse coração que se acaba,
Quando vê as possibilidades perdidas.
Vá de encontro ao riacho,
Correndo e desviando-se,
A curva que se forma,
É tão sinuosa quanto a minha.
Mostra-se e tira o véu,
Que escondes teu amor,
Sei que queres como eu,
Isso vem a ser o que tenho.
Pondera sobre tudo,
Mas esquece-te do acontecer,
Tudo tem um motivo maior,
Mesmo sem a gente querer.
Vá e veja, é fácil,
Encontrar associação,
Mas difícil, quase impossível,
É destilar essa paixão.
DR.
As estrelas cintilam o negro céu.
Quando me coloco a pensar no acaso.
Acaso esse que não existe, é tudo marcado.
Cartas marcadas desse baralho onde eu sei o que sou.
Sou o bufão, o coringa, aquele palhaço.
É há como acreditar.
Diz-me, força prossiga.
Prosseguir para onde?
O que me levas?
Aonde o caminho me levará?
Eu sei muito bem aonde quero estar,
Estou em meus sonhos e devaneios lá.
Mas para isso dependo de alguém, É!
Esse alguém que não quer saber do que eu sinto.
Esse alguém que muito me é querido.
Esse alguém que detêm todos os meus sentimentos,
E que aprisiona o meu amor.
Torturando-o dia e noite,
Machado E chicote,
Ferro e fogo.
Quando me dará paz?
Alias não me dá ela não...
Daí me tortura, mas a tortura com prazer,
Aquele prazer de amar, de morder o pescoço,
De sentir o gosto da sua carne nos meus lábios,
E o seu perfume a esparramar-se pelo ar.
Derradeiro silêncio que me consome,
Quando a inspiração me toma,
Como uma máquina dessas que escreve,
Até desatinos eu cometo, palavrões eu exclamo!
EXCLAMAR!
É isso, eu tenho que me expressar,
Mas erro, pois só sei declamar,
Esses versos mal traçados de não saber o bem que se perde.
Arde em chamas o coração desesperado.
Faço de tudo para chamar tua atenção.
Sou praticamente tudo que queres.
Abra-te a minha presença.
Deixa-me entrar na sua alma,
Ver pelos seus olhos,
Sentir os seus medos.
E quando tudo estiver claro e resolvido,
Deixa-me ficar enroscado nas suas pernas,
Sentindo sua pulsação, seu sangue correndo,
Sua vida dizendo o meu nome a cada compasso.
Marca o compasso de uma aurora que ainda chegará,
Deixa o dia e o crepúsculo se acertarem quando a noite
Irá começar.
Mas nunca deixe na mão de outrem a felicidade que lhe convém.
Veja eu sou a felicidade que precisas,
E estou aqui.
DR.
Eu me desfaço em lágrimas,
No meio dessa noite letárgica,
Estou sem escolhas,
Tudo me levando a loucura,
Será que você não pode perceber,
Que já não respiro?
Estou aqui, ajoelhado,
Implorando pelo seu amor,
Apenas migalhas dele,
Será que minhas lágrimas
e súplicas não te convencem.
Veja eu posso até alcançar
As estrelas mais longínquas,
Mas seu coração parece-me
Ainda tão distante.
E mesmo quando tudo acabar,
Para mim ainda vou amar,
Você como a primeira vez,
O primeiro respirar.
Você não vê que eu sou seu
Sorrir?
Só eu posso te fazer sorrir,
Até você não respirar mais,
Essa noite você tem que acreditar,
Que é minha, toda minha.
DR.
Arco com o peso desse amor,
Aqui e agora vou carregando,
Destinado a sofrer, fardo da vida,
E quando penso que poderias você,
Ajudar-me a carregá-lo, foges do alcance.
Deixa sobre meus ombros tal desatino,
Destino desacreditado e ilusório,
Vou vivendo dia após dia acreditando,
Mesmo que tudo demonstrando que é certo,
Não vejo o certo se concretizar.
Até quando irei lutar contra a vida,
Até quando irás lutar contra o que é,
Não dá para fugir e desistir assim,
Tudo volta e se repete até que
Realmente se faça o que se deve.
Abra-te para meu amor, que entre outros,
Não é menor, é luminosidade de Sóis,
Em plena escuridão universal.
Pode até cegar-te completamente,
Mas lá estarei para lhe estender o braço,
E caminhar laçado a você,
Pelo resto dos Dias.
DR.
Horizontes são marcas do infinito,
Olha ao longe tentando procurar a borda,
Esse fim do mundo que não chega,
O Término, a finalização, a chegada.
Não há limitação ou demarcações,
Capazes de impedir a mente de fluir,
Voando e mergulhando por onde quer,
Mas nem sempre a concretizar-se por si.
Criam-se sonhos, esperanças, doces brincadeiras,
Tudo querendo criar uma nova vida,
Vida ideal, com dedicatórias em todas
Paredes, salas, quartos, portas e janelas.
E quando a cegueira passa,
E a vida se mostra como é realmente,
Pensamentos de boa-vida inundam o ser.
Aceitar o destino é algo temível,
Mesmo para o mais corajoso.
Como aceitar que não se tem controle
Da própria vida?
A única coisa que tenho controle,
É sobre meu descontrole por você.
DR.
Embriaga-me de tédio.
Essa vida desmedida,
Onde está o acaso?
Tudo parece tão marcado.
Baralho de vidas jogadas,
Rasgado, empoeirado,
Antes de vir já sabias,
As figuras e as medidas.
Verte em contas, calculadas,
Racionadas e pequeninas,
Essa dor dissonante,
Que rompe o infante que há.
Marcha com fardas mal-passadas,
Alvejadas por flechas envenenadas,
Distanciadas e enlameadas,
Onde jamais há de ser algo.
Foges para bem longe do que podes,
Onde não encontras nem destrói,
Mas se nega a aceitar,
Todo sentimento que guardas.
Ilude-te com mágicos e circos,
Mas a verdade não é no picadeiro,
Se for acontecer, é um leão,
Enjaulado a se libertar.
DR.
Os dias estão cada vez mais estranhos.
Diz um amigo que isso se chama maturidade.
Acredito que não é bem só isso.
Acho que é insanidade.
Insanidade temporária.
Não que há de passar com o tempo.
Mas temporariamente eterna.
O Tempo é o dono da razão, e também mestre da insanidade.
Acho que ele estava meio chateado, entediado na verdade, e resolveu ver as coisas de uma forma diferente.
Aí se fez a insanidade... Inconseqüente...
Até quando a inconseqüência há de destruir corações?
Almas perdidas vagando pelo Rio Styx procurando apenas duas moedas de pratas para venderem sua alma?
Isso é eterno até o momento que em que se realize a vida de uma só pessoa.
Ou seja, desista... Apenas respire...
DR.
A nitidez do meu olhar,
Confunde-se com o torpor
Da minha mente confusa.
Tendo claros quadros da vida,
Destinos traçados,
Parece-me que tudo é grão de areia,
Perto da infinidade da minha dúvida.
Dúvida esta que não será sanada,
Sem a sua franqueza,
Não aquela que repetes para si,
A fim de convencer-te,
Mas a realidade do seu coração.
Há de chegar a hora,
De exclamar com atenção,
E deixar a dor calar,
E a vontade se revelar,
Em um breve momento entre
Nossos beijos.
DR.
Ai de mim!
Auto-piedade e flagelação.
Destruindo tudo que sou
Em questão de segundos.
Parece que gosto de sofrer,
Com esse gosto amargo.
Ora sim e ora não.
Tristeza não é só uma solução,
É o ato que me impele a agir,
Destraçar essas palavras a surgir,
Fazer aparecer um não sei o que de dor.
Vida em ebulição,
Destinada a ser corrente e não terminar,
Mortal e envenenada a beber,
Essa água do cálice que me ofertastes.
Para que mentir,
Dizer que existem coisas que estão por vir,
Acreditar em histórias que não vão sorrir,
Me dizer que nada disso aconteceu.
Ensolarado,
Eu vejo o meu dia a surgir,
Um dia muito longe a me pertencer,
Mesmo quando eu chorava,
Chorava por você.
DR.
Nesse jogo de sim ou não,
Caçando um ao outro,
Não dizendo o ponto de encontro,
Fugindo e tentando, confusão.
Não dá pra conter, determinar,
Atender e esperar.
Há! Sempre há! Algo...
Forjado no calor da emoção,
Triste paixão esconde-te.
Olha as máscaras que inventamos,
Subterfúgios descarados.
Onde devíamos ser sinceros,
Colocamos a mentira e o tédio.
Ócio, cadê a segurança?
Tenho que firmar o que sinto,
Mas como se fujo e se minto?
Eu aprendi com você.
DR.
A estrada impele em chamas,
Queimando vivo tudo que se quer,
Desejo ardente, brasa, fogo.
Arde em incandescentes desatinos,
De um ser desacreditado,
Rumando sem destino,
Procurando o que sabe ser errado.
Sem desistir talvez,
Testando seu próprio valor,
No calor da batalha,
No ardor do Amor.
Queima a alma, castiga o ser,
Destrói e reconstrói
Tudo que há de ser,
Eternamente e para sempre,
Enquanto essa loucura não terminar,
Saiba quando parar saiba quando me
Amar.
Doido, vejo e ouço vozes,
Vozes de desejos escondidos,
Suprimidos pelo medo e timidez,
Que desabam na primeira lágrima,
A correr a face e encontrar o chão,
Com meu rosto a tocar.
DR.
Tentar mentir, fingir, esquecer.
Não dá pra diminuir as coisas,
Elas são o que são,
Pode tentar o que for,
Eu ainda estou aqui.
Tudo há de ver o que há de sentir,
Estranheza na vida, partida, chegada,
Onde me encontro, deito-me na calçada,
Peço rogando humildade, humilhado,
Medo essa chaga, que sucumbe e perturba.
Vai atrasar a vida, não tem problema,
Eu espero, aqui, ali, onde quer que seja.
Só não negues muito tempo,
Pois eu não sou eterno.
DR.
Arco com o acaso,
Detalhe em verso e prosa,
Todos destratos,
Que a vida sempre mostra.
Vivo atormentado,
Pensando e adiando,
Questionado e pressionado,
Indeciso e acurralado.
Vago por corredores desertos,
Na esperança de encontrar,
As respostas que me cercam,
E fogem quando chego a encontrar.
Deito a cabeça,
No travesseiro do consolo,
Me vejo atrapalhado,
Com o destino todo torto.
Abro a janela,
Com a intenção de respirar,
Ouço a sua voz,
Começo a agonizar.
Peço todos dias,
Pra clareza me invadir,
Tentar entender o porque,
Que você teve que partir.
DR.
Deito procurando repousar,
O corpo cansado que pende,
Deixando tudo mais pesado,
Trocando o certo pelo errado.
Fantasmas me assombram,
No teto figuras sombrias,
Perseguem-me sempre,
E eu não consigo movimentar-me.
Fugir já não há como,
As forças se esgotaram,
Deixo tudo de lado,
E tento dormir.
As coisas se repetem,
Sem fim, sem fundamento,
Eternamente perseguido,
Por mim mesmo.
DR.
Sinta o cheiro ocre,
É a putrefação minha cara.
Sim, o ser humano apodrece em vida.
Também pudera,
Vistes o que ele é capaz de fazer?
Sentimentos?
Isso são como lacraias,
Vermes que decompõem a matéria,
Deixa apodrecer tudo.
Já somos podres de espírito,
Que a matéria aparente pelo menos.
Mas para que mentir tanto?
Mentir sobre e para si?
Não tem como caríssima.
Esse é mais um pedaço teu,
Que irás perder pra lepra da vida.
DR.
Inspiração?
Não, é tristeza mesmo,
Sentimentos transmutados em palavras.
Que não se cabem no peito,
Derramam-se por sobre a escrivaninha.
Dom?
Quem me dera ter um dom...
Mas é desespero mesmo.
É meu único jeito,
Minha fuga, meu reduto protetor.
Minha redoma.
Quisera eu poder escrever tudo que sinto,
Talvez faria do mundo algo melhor,
Pretensioso talvez, mas não mentiroso.
Meus sentimentos são nobres,
Honrados e bem-intencionados,
Se a pena hoje escreve o que sinto,
É porque não tenho vergonha de possuí-los.
Não nego, é amor, paixão, desespero e loucura.
Tudo misturado com alguns toques de demagogia,
Romantismo.
Temperado com o que há de pior
Nessas lojas de especiarias:
Incompreensão e Medo.
Mas deixa,
Enquanto a tinta seca no papel,
Vou criando e sentindo coisas diferentes,
Esses sentimentos tumultuados e não correspondidos.
São sonhos embebidos de vinho,
Embriagados pelo ópio que é amar.
Ah! Dia sim e dia sim também,
Não dá pra deixar de pensar,
Mesmo que tudo isso se manifeste como tortura.
O que vou fazer? Mudar?
Não consigo negar o que sou.
Incorrigivelmente Romântico.
DR.
Voa a caneta, desliza
Escrevendo versos sem rima,
Tentando deixar bonito o texto,
Montando estrofes desiguais,
Para alguém que nem lê.
É a tinta que transforma,
Esperança em choro,
Lágrima em tristeza,
Desesperança em perdição.
Sentimentos dúbios,
Sentidos unilaterais,
Fazendo a liberdade parecer
Que é apenas uma brincadeira,
Utópica, faz-de-conta, ciranda.
Roda, roda a roda da vida,
Que me encara com as três Fúrias,
Tecendo esse emaranhado de confusões,
Que é minha vida.
Deixa-me só,
No meio da teia.
Sem as respostas que já pedi,
E com a mácula no peito,
Que trancado, com corrente e cadeado,
Não se abre para justificar o que sente.
Passa o dia, o tempo vai,
Não há nada que eu faça,
Ou seja capaz,
E tudo some e sai de controle
das minhas mão.
Eu pretendo entender,
Mas as vezes o óbvio é tão intenso
Que me cega completamente.
Esses sons, de onde vêm?
São as tubas e trombetas dos anjos,
Me avisando para continuar,
Mas continuar aonde?
Continuar o que?!
Vai, caneta desliza,
Me traga respostas.
Só me desprezas as piores contas,
Me dê as perolas e diamantes.
Um brilho de vidro.
Um algo nessa vida.
DR.
Pra que tanta tempestade,
se já está tudo tão escuro?
Deixas de amargurar-me
deixa de tatear em minhas feridas.
Consegues apenas o que queres,
foges do que teu intimo deseja,
continua assim escaldando
aquilo que não é mais condizente.
Finge e mente para si,
procura algo em outros,
não há o que dizer,
se não que isso é coisa de tolo.
Está em você, ou talvez não,
tudo aquilo que anseias,
o amor, a pureza e a paixão.
Olhe para o lado certo.
DR.
Eu bebo a vida, a vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Pousando em ti o meu olhar eterno
Como pousam as folhas sobre os lagos…
Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!
A vida, meu amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas, hemos de bebê-la!
Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, amor! … As nossas bocas juntas!…
(Florbela Espanca)
Um suspiro,
Ao alcance de alguém,
Um grito abafado,
Na distância que mantêm.
Enfim, é assim.
Sem dó de mim.
DR.
Estou cansado.
Sim cansado.
Olha como as horas se adiantam,
nesse relógio que marca a vida.
Minha vida!
Pra trás ficou.
Ou adiante, será?
Há de tornar-me fraco,
já sou fraco.
Fraco por possuir sentimentos.
Fraco pelo desespero da minha mente.
Por não possuir o que quero.
Meu tom é arrogante,
talvez até petulante.
Mas entenda...
Entenda, de uma vez por todas,
é sentimento!
Sentimento que me corrompe,
sentimento que me enfraquece,
sentimento que deveria fortalecer,
mas minha mente deturpada está.
Porque você quer saber?
Ora! Por você!
Olha o relógio, como as horas se adiantam.
Hora de tentar?
Hora de se retirar?
Pelos deuses, me diga pelo menos
Que horas são?
DR.
Ouço passos na escada,
será que é loucura,
perseguição.
Não consigo acreditar
em mais nada.
Tudo me parece piada,
ou um pouco de desilusão.
Até quando vou precisar,
entender o significado
das coisas?
Até quando vou orar,
por algo que não virá?
Ah! O suspiro!
Alívio.
Enfim.
Não, é apenas o fôlego,
para continuar,
correr, saltar a janela.
Fugir, para bem longe daqui.
Aonde estou?
Me perdi.
Aonde queria estar?
Não estou lá.
Deixa, deixa...
Aconteça o que acontecer.
Vem, uma vez mais só.
Cadê? Onde está?
Talvez já estivesse lá.
Não me prive.
Você não quer tentar?
Tá, então deixa para lá.
DR.
Escondo-me entre a multidão,
tentando me encontrar no eu,
mesmo procurando em lugares,
que sei que não estou.
Mas esconde-te também, de mim,
não sei até quando poderás,
alçar distância nesse lugar,
deixa cair, deixa.
E mesmo com todo medo
com essa desconfiança,
meu esconderijo preferido,
agora seria em seus braços.
Entrelaçado em suas pernas,
sem soltar jamais,
olhando a beleza plena,
de algo que é reconstruído.
DR.
Até o completo soa vazio,
quando se trata de minha vida,
tudo tão destinado a se perder,
sem alcançar o que desejo.
Pequenos pedaços de madeira,
que formam um quebra-cabeças,
espalhados pelos anos,
e ainda existem peças faltando.
Essas peças que conectam,
partes importantes no tabuleiro,
essas peças que me tornam,
um ser humano por inteiro.
Onde foram parar?
Destruídas ou escondidas,
perdidas além mar,
destituídas de cor ou forma.
Será que nunca vou completar?
Não verei o que esse quadro
venha a significar?
Até quando irei lamuriar?
Até quando irei lamuriar?
DR.
|
|
|||
|
|||