Hoje eu me calo.

Devido a não entender mesmo nada... Pra que escrever?

ESTOU DEFINITIVAMENTE MUDO!

Existe nas areias do tempo,
Enterrada ou perdida,
A esperança redimida,
A vontade esquecida.
O meu fazer por bem estar.

O estado de graça,
Que um dia alcancei.
Hoje eu percebo as coisas,
Da forma como deveriam ser.
Mentiras? Não.
Ilusões? Algumas.

Mas em que estado se encontra,
O moribundo que não entende,
O que o come por dentro,
Ou o cego que não sabe o que é luz,
Até mesmo o autista emocional,
É aquele que não consegue expressar,
O que lhe é bem.

Sofre por que tem medo,
Covarde!

Quisera encontrar a formula,
Ou receita, que traria a paz.
Paz essa que não consigo ver,
Mesmo em teus braços, ou com você.
Eu quero seu caos, é isso que me excita.

Mas até quando essa negação.
A vida se movimenta, é com certeza,
Uma razão.
Mas o sofrimento desprendido é energia.
Fica marcado.
E não é porque se deu um passo,
Que se possa dizer que não és aleijado.

Tanta coisa presa aqui,
Queria eu tão mais sincero ser,
E o medo de não saber receber,
O medo de você não querer.
O receio que é não entender,
O porquê se afasta tanto.

Não entendi ontem,
Hoje também não entendo.
Só sei que o que tenho são pesadelos,
Mas sempre assim quero sonhar,
Se for para ver sua face a me iluminar,
Seus olhos a fitarem minh'alma,
A estranheza do pesar.

Até quando eu irei te amar,
Sem que você saiba o que se passa,
E se sabes o por quê não me Falas?
Por que teimas em se afastar?
Por quê?
Perguntas, perguntas, perguntas.

Amanhã talvez veja você,
Será um dia para nos entender,
Um dia de uma vida assim por ser,
Só eu e você.
Só eu e você.

Até lá, conto os dias passar,
Esperando a chegada da aurora,
A redentora e esplendorosa
Situação de maravilhado,
Ao conseguir enfim, desenvazado,
Dizer tudo que tenho aqui,
Dentro ... por você.


DR. AE.

Muito tenho para falar,
Não sei nem por onde começar,
Talvez aquela frase desbotada,
Aquela que sempre dizia,
E não te dizia nada.

Talvez deva começar pedindo,
Aquele beijo estratégico,
Ou um abraço amigo?

Não sei o que devo fazer,
Sei que quero você,
Posso continuar a esperar,
Meu sentimento aqui sempre estará.
Mas não me deixe esperando
por tempo demais.
A saudade que tenho em mim
Hoje me dói demais.

Amparar o que não tem como,
Ver o que não deve ser visto,
É assim que quero ser contigo,
Ser ou querer, é poder em te ter.
Quero aceitar o destino,
Ter ao teu lado o desafio,
Do riso, que sai da face,
Da lágrima que escorre e escapa,
Do suspirar continuo em seu peito.
Quero ter você comigo.

DR.

Estou nas alturas,
Em um avião,
Não posso reclamar,
De ver as coisas de cima.
Mas muitas vezes,
Como gostaria,
De estar mergulhado nelas.
E mergulhado em você,
Eu gostaria de estar,
Todos os dias.

DR.

Abafado, o tempo é assim.
Derretendo-me por não desistir.
E como poderia se não sei o que fazer.
Gosto de ter certeza, antes de deixar.
Embalando em tudo que há por vir.

São sentimentos, uma porção deles,
Que se amontoam sobre mim.

Quisera eu ser um pouco mais corajoso,
Mas isso me falta às vezes.
Pelo pensamento distante e obtuso,
De que prefiro migalhas do que o nada.

Mas me dói.
E como isso machuca!
Fere a alma, o pranto e o choro
Se mostram carrascos de um só som.

E ainda que tudo há de não ser,
Tento mudar, não estou louco.
Vejo e sinto que é pra acontecer,
Bastam apenas passos, toques e conversas.

No clima em que encerra,
A véspera de uma estação fechada,
O trem que não me espera,
Detrás de uma montanha abandonada,
A própria sorte.

Ontem, é algo complementar,
Já foi não há como mudar.
Mas podemos aprender,
Se não consigo esquecer você,
É porque devemos ter algo a resolver.

E não sei o seu íntimo,
Mas pressinto seu estado de espírito.
Sei que queres algo, queres saber.
Bom, é fácil dizer, resolver.
Estou aqui, preciso apenas certezas
Suas ter.

E quando tudo tiver,
Pode fechar seus olhos,
Pois caminharei a teu lado,
E que sabe te levarei em meus braços,
Para onde quiseres estar,
Desde que eu esteja no fundo de tua Alma.
No recanto dos teus olhos.
Na beleza da tua boca,
E eternamente lacrado em teu coração.

DR.

Como? Me diz se vai passar?
Ou precisarei elevar a tudo isso
Em um sentido mais amplo?

Nada de encontro ao meu lábio?
Eu perco o autocontrole.
Sinto-me excluído,
Vejo o céu desabar,
Sinto-me automatizado,
Parece que estou sendo elevado.

Todas as estrelas,
E essa fumaça,
Parece um incêndio,
Mas de onde?
Da minha mente?
Ela está sem controle,
Vou explodir,
Ou me enterrar,
Não dá pra descer mais.

Fui excluído do que faz,
O bem, eu só vejo dragões.
Cadê o meu estado de graça?

Onde deixaste meu presente?

Vejo que sou eterno,
Mas nem sempre vou sentir
O que eu realmente quero.
E as palavras vão brilhando
E eu te digo, eu acredito
Em você!

Agora, vou dizer:
Eu sei, posso não ser o certo,
Tapado, praticamente errado,
Mas sei que eu ti amo e vou
Dar o que posso e mais!

Não me deixe nervoso,
Só aceite o que eu posso te dar,
E como depende de mim,
É o infinito e muito além.

DR.

Hoje eu percebo o que as cicatrizes querem dizer.
Um infinito de perversidade humana perpetrada aqui.
Na terra do faz-de-conta que eu não sei, é isso aí.
Não vejo outro motivo para não ser, o que sou mesmo.

Em todas as palavras que eu escrevo, sentido dou.
É o sentido que eu gostaria de ter na vida,
Apesar de que o sentido deve poder ler o que escrevo.

Mas será só um erro? Escrever assim sem dizer o que é?
Tenho que ser direto em tudo?
E o charme do "Será que é?"

É sou dramático.
Fazer o que...
É assim que eu sou, há de me bem-querer.

Veja só que engraçado.
A estrada que se expande agora.
Eu vejo você no caminho errado, de novo!
Quero te ajudar a sair daí, dou a mão a você.
Mas ela fica a balançar sozinha no espaço.

Não me quer?
Eu sei que quer...
Então porque não diz?
Espera que tudo parta de mim?
Eu acho que um passo você tem que dar...

É eu acho realmente...

Vou esperar esse passo?
Sei lá! A vida é tão estranha para se prever.
Indicar hoje o que não é, e amanhã o que vai ser.

Bom você já sabe né?
Estou esperando por você.

DR.

Distraio-me com o Sol que nasce lá fora,
Enquanto os pássaros tentam me acordar,
Mesmo que a distancia da nuvem seja grande,
Parece que eu posso até alcançar.

O vermelho do nascer vai saindo de fininho,
Dando lugar para o amanhecer azul, todo reluzindo,
Em viagens ao meu ser eu consegui até me ver
A voar por esse infinito de profunda beleza.

Foi então que eu percebi que existe mais em mim,
Do que eu mesmo poderia conceber.
Foi aí que entendi que não sou apenas um garoto,
Mas uma divindade latente a nascer.

Vejo o encontro de tudo e de todos,
Questiono-me sempre por que comigo não é assim,
Vejo a esperança, sobreviver a perversidade,
Vejo o amor se despedaçar até sumir.

Mas não é por aí, não tem que ser assim,
Eu acredito mais em mim, por amar você.
Você pode não saber, ou não querer ver,
Mas é sempre sobre você que eu estou a escrever.

DR.

Vai caindo a chuva,
Lavando o que deverá...
Deixando o que merece ficar.
Vai escorrendo como lágrimas do mundo.

Encolhendo-me no canto,
Dirigindo pra qualquer lugar,
A água batendo no vidro e
Rompendo em estrondos.

Eu vejo a vida agora diferente,
Sinto-me seguro,
Posso amarrar meus tênis sozinho.

Vejo subindo e descendo,
Fazendo som, onde só há silêncio.
Mesmo que eu diga Adeus,
É só um até logo que significa.

Mesmo que pense que as pessoas
Não são divertidas,
Tenho que concordar,
Consigo dar risada das mentiras.

Agora pego um pouco da minha
Sinceridade, silencioso.
Não chamo atenção,
Vou à frente a sua janela e
Tento disparar todas as frases.

Mas não saí todas as mudas palavras,
Que não tem mais som,
Agora só movimento a boca,
Quisera eu que pudesses ver em
Meu olhar o que sinto.

Eu preciso tomar uma ação,
Mas esse curso está tomando outra direção.
Aprenda a reagir a essa situação,
É preciso então sua ação,
Faça-me feliz, me deixe acreditar
Que as pessoas são engraçadas.

Eu vou cantando, e a chuva caindo
Não vou ligando com você eu vou partindo.
É em você que me reservo,
O direito de ser eu mesmo.

DR.

Sobram espaços ainda nesse desafio chamado vida,
Sobram muitas coisas ainda por se dizer,
Mas algo que não podem me acusar é de que não fui
Sincero.

Não que deva dizer que fui honesto a maior parte
Do tempo em que passei aqui.
Não, não é bem assim.
Mas digo sincero entre os sentimentos que eu tenho,
Entre aquilo que eu vivo no fato que eu me submeto.

Eu sinto, e deixo sentir.
Vou até o extremo daquilo que me faz chorar ou rir,
Quero saber e experimentar todas as limitações,
Quero romper com tudo que é dito inflexível.

É por isso que eu ainda insisto em tudo isso que é meu,
Agora me digo e me pego a pensar, será que todos são assim?
Veja isso não é só sobre mim.
Não tem como ser também, um poeta escreve o que lhe sente,
Ou talvez, o que sentido lhe é dado naquele momento.

Ainda vejo que tudo é a respeito de você.
Consegue perceber?
Todas as provas que eu poderia dar?
Estão aí nessas traçadas linhas abaixo,
Todos os poemas têm o mesmo significado.

Então não podes me acusar de fugir,
De não encarar o destino como deve ser.
Eu estou aqui, só esperando o sinal para sair,
Ir de encontro à linha de chegada,
Ser mais um feliz candidato a apaixonado na estrada,
Ser quem sabe, e sei que sou um ator de mente imaginada.
Mas não podes me dizer que o que sinto não é real,
É verdade, é fato, é tão usual.
Está tudo aqui, esperando que venha buscar.


DR.

Essa palavra lacrada,
Que teima em não sair,
O nó da garganta,
Que teima em não desfazer-se.

Seria a inspiração deixando-me?
Ou seria inspiração demais a
Congestionar a forma de expressar?

Sinto-me mudo de formas incríveis,
Tais quais não poderia descrever,
Sei a força que tens dentro de ti,
Mas acredite sei que irás vencer.

A quem mais pode recorrer senão a mim,
Quando teu choro e pranto se tornarem uno,
Quem irá dar a mão a ti,
Quando seu lamento se formar em jorros.

Ah! De verdade sempre haverá algo em que
Precipitar, toda a verdade que nos cerca,
Em forma de escritos ou versos, esses poemas.

Ainda que pelo breu noturno,
A vista da janela não se tornar clara,
Ainda que pelo chão soturno,
Hei de amar-te sempre, cara amada.

Algo me diz que não sou eu apenas,
Algo me diz que não sou eu quem sofre,
Diz-me logo o que me queima,
Diz logo o que é o seu transtorno.

Amo sim, e sempre amarei,
A terna forma de seu rosto,
Há em mim, sim eu sei sofrimento.
E medo do fosso,
Mesmo que tudo seja assim tão solitário,
Sei que não foi ao acaso,
Haverá ainda formas de expressar-me
Sem utilizar o verbo rasgado.

Mesmo que em todos os minutos que
Se passam longe, eu não tiver contigo,
Sei que sempre estarei aí,
Sei que és minha e não podes fugir,
Sei que és sua e não queres admitir,
Esse amor frutífero, que se espalha,
Mas o medo que acompanha, é o medo.
Que maltrata, atrapalha.

Ainda hoje eu sei que irás,
Fazer o que deves por que deves ser feito.
Ainda disse que nada irás mudar,
Pois o fato mudado é que eu sou teu por inteiro.
Agora que já sabes o que quer,
Deixa de lado o véu da vaidade,
Agora que tens o que é teu,
Volta e regressa aos braços que te aguardam,
Abertos, somente para ti.

Alguém há de perceber,
O amor que sinto por você.
Alguém há de encontrar,
O amor que deixei passar.
O amor que antes deixou aqui,
Agora não quer me deixar.
E o que faço com tamanho sentimento?
Sofro choro em desalento?
Não, não é o certo a ser feito,
O correto é acreditar que pode ser
PERFEITO.

Amanhã é um novo dia talvez,
Mas meu amor por você multiplica-se por três.
Amanhã é um dia marcado outra vez
Pode-se dizer que marcado por meias verdades
Mas jamais digas que é marcado pela vaidade
Vaidade que me livro dia e noite,
Antes de dormir, vaidade que dispo antes de pedir
A todas as formas de consciência,
Um dia apenas, ao teu lado.
Sempre e sempre apaixonado.
Aqui e lá, sempre a te esperar.

DR. AE.

Eu ainda acredito,
Não há como negar,
Quando seu olhar cruzou o meu,
Foi como se fechássemos um acordo,
Eterno e silencioso.

Tudo tem um porque, há de saber,
Um dia ou outro quem sabe,
Preparar-se para tal,
Mas deixe acontecer,
Não feche as portas,
Permita que os raios de sol
Entrem e iluminem tudo.

Há de ser, basta querer,
Eu sei tanta coisa no meio,
Mas é só deixar pra lá,
Ir até onde se quer estar,
Estar, Estar e Estar.

Repetindo até se formar,
É pensando, positivamente,
Acreditando, e criando consequentemente.
Há sim um lugar para nós.
Existe e é real.
Somos nós, não há como dividir isso.
Sempre foi sobre nós.
E sempre será.

DR.

Existe em mim, esse sentimento voraz,
Que me inunda e me estimula a querer mais,
Esse cultivo de um não bem saber o que,
Mas desejar o dia todo o bem querer de estar,
Ao lado ou em pensamento com quem me faz sentir.

Desejo e aperto, agora se transformam em resolução,
Calmamente conduzem o meu coração a uma rota,
Essa rota que é a resolução.
Acreditando e tendo a certeza plena,
Dia após dia de que tudo irá se resolver,
E que eu realmente terei o que quero.

Você;

Ou eu mesmo;

Eu sei que é estranho,
Mesmo parecendo tão mundano, sentimento cigano esse,
Mas que vira um ato fixo ao estar confirmado,
O muda-muda de lugar, sempre é encontrado ao seu lado,
Mesmo que viaje por todo o Universo, só vou estar a
Um pensamento de você.

É o bem-querer.
Amar você.
Viver em ter,
Algo para crer.

E eu acredito.
Todos os dias.
Acredito.

DR.

O que é isso?
Essa estranha sensação?
Tão familiar essa emoção.
Não, não...
Sem controle...

Partindo, cismado com o que é.
Um aperto, um torpor percorre
Agora o corpo e se aloja no peito.

O choro contido, a lágrima que
Teima em não cair.
A voz abafada tentando não sentir,
O que é isso?

Desejo?
Sentimento controverso...
Pranto toma conta de mim,
Quero e como quero tudo.

Seja do meu jeito,
Dê-me o sinal,
Mostre-me o caminho certo,
Desista da ilusão...

Não viu que não é pra ser ali,
É pra ser aqui,
Em mim...

Sufocado, escorre no astral,
o que me falta agora,
Apunhala-me,
Dói...

DR.

Rasga a carne,
Solta o verbo,
Revivifica,
Tudo que já é velho.
Retrata o ócio,
Em ciclos intermináveis,
Arde em chamas infinitas,
A alma esperançosa,
De um incorrigível
Sonhador.

DR.

Realmente estou mudo.
O que aconteceu com minha eloqüência?

DR.

As palavras que não me faltam, é a razão de estar calado.
Sentimento que não extravasa, onde ficou tão reservado?
Abra-te, expanda, exclame, diga, declame...
Se declare...
Ou perdi a voz?
Perdi, ou tenho medo de perder...

DR.

Há de pesar em mim, a dor pungente de não saber como dizer o que sinto.

DR.

"E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você."

(Quase sem querer - Legião Urbana)


Pensar, querer, desejar e saber...

Pensamentos mudam o mundo.

Passo o dia a pensar, e procuro selecionar agora os pensamentos que quero que façam parte da minha vida. Coloco em cada sentimento, pensamento, pessoa e situação uma etiquetinha.

Azul para o que me faz bem, Vermelho para o que me faz mal. Vou colocando em duas cestas separadas.

Sentimentos são turbilhões, então eles além da etiqueta precisam de um laço, o laço da razão. Fixo bem, para que não se desprenda. Mas algumas vezes o sentimento teima em fugir desse aperto, e bom, aí já sabe né, dependendo do seu temperamento acontece cada coisa.

Quando a Saudades escapa, dá um aperto no peito, uma falta de não sei bem o que, e quando ela teima em se esconder atrás de uma pessoa, aí então até suspiros se fazem presente.

Quando a Tristeza se solta, ela sempre corre atrás da Lágrima no cantinho da cestinha, e parece que as duas combinam tão bem, que muitas vezes é difícil fazer elas se separarem...

Quando a Alegria consegue dar uma escapulida, ela logo pega o sorriso e começa a dançar, e tão rápida e engraçada a dança que eu sinto cócegas e não paro de gargalhar.

Agora o problema é quando o Amor escapa...

É às vezes ele escapa e pega a Tristeza e a Saudades abraça juntinho e começam a correr até o canto mais escuro da minha alma, lá eles se abraçam, e como a lágrima sempre ta lá do lado da Tristeza, eu choro, choro e choro...

Mas quando o Amor prefere ver a luz do dia, ele pega a Alegria pra dançar, a Felicidade começa a acompanhar, a Satisfação, O Bem-Querer, a Paixão e tudo mais de bom, e aí acontece uma grande festa dentro de mim. Parece que vou explodir, parece que vou misturar tudo de novo para ver no que vai dar.

DR.

"Learning loving somebody don't make them love you"

(Sitting, Waiting, wishing - Jack Johnson)

"Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar"

(Ana e o mar - O Teatro Mágico)

 

Escrever sobre amor é fácil enquanto há amor pra ser escrito. O problema é o amor sentido, aquele que aperta o peito, sufocando a gente minuto-a-minuto, e que por incrível que possa ser sempre pedimos mais.

Somos masoquistas, viciados nesse sentimento que ao mesmo tempo, tão egoísta, nos faz sofrer, nos faz chorar, mas que pode com uma simples mudança de olhar nos fazer sorrir, nos fazer gritar de alegria.

A questão ainda está no amor sentido, amor maltrapilho.
Questões que ficam sem respostas, mesmo quando as pessoas se gostam, não se aproximam, ficam longe, fugindo até o horizonte. Buscando uma salvação e segurança que não existe.

A vida é arriscar, ainda mais com esse sentimento a acompanhar.

Não dá, realmente não dá. Entender tudo isso é demais para qualquer mente, por isso acho que ele não é racional, não caberia na capacidade cerebral, só mesmo sendo abstrato pra retratar o que é o amar...

O mesmo sufoco, medo e mãos tremendo se apresentam sempre em todas as situações, mas o amor correspondido ainda tem a salvação. Você pode ter a pessoa amada em seus braços e fazer corresponder-se a esse sentimento tão maluco. Já quando o outro lado não te quer, aí o complexo é feio. Como podemos aceitar que nos amamos sem alguém nos amar?
Alias como pode alguém recusar amor?

Muitas pessoas fogem do amor. Medo de doer, mas ele dói mesmo sem a gente querer. Sofrer é sinônimo desse sentimento. Nunca há como ficar a salvo, ilha não existe...

Isolar-se ou negar o que existe é aumentar a pressão do que se sente. De que adianta arranjar tampões, substitutos pra enganar o coração. Não dá, o QI do coração é maior que de qualquer gênio humano e inumano. Ele sabe o que faz mesmo a gente não entendendo o que é.

Respostas? Não existem, a gente tem que arriscar as vezes, ver no que vai dar...

Aí que ta, esse medo que tenho em mim não quer deixar.

DR.

Eu caminho pelo recinto impaciente,
Meus olhos nervosos não descansam,
Repousam sobre uma lista em que não estas,
Os minutos se sobrepõem, um a um, até
As horas findarem-se.

Pesados meus olhos se fecham,
A respiração se torna tensa,
Tremo ao pensar...

Sento e levanto-me,
Saio a divagar, a fumaça que sopro
É do vento congelante que inalo,
Frio que estas intrínseco ao meu ser.

Ando, Caminho, Corro,
E nada no meu caminho...
Tudo tão livre...

Eu quero empecilhos,
Quero desvendá-los, encarar tudo e todos,
Desde que seja ao seu lado...
Vai volta.

Não, ainda não se encontra lá,
Encontrou o porquê?
Cadê?

As pernas tremendo são sinais da fadiga,
Recolho-me.
Desabo.

DR.

Esbarro em você,
Sem querer, ao meu ver,
Ouço a sua respiração,
Que me chama com atenção,
Faça algo agora...
Sem titubear,
Sem hesitar.
Haja sem pensar,
Deixe florescer,
Mostre-me o que quer,
Não sei ler você,
Alfabeto complicado
Para eu entender,
Diga simplesmente,
O que sente,
Enquanto passo os
Dias a amar você.

DR.

"Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar
Ah e o mundo é perfeito
Hum e o mundo é perfeito
E o mundo é perfeito"

(Sonho - O Teatro Mágico)

A noite em brumas vai entrando no meu quarto, e eu sozinho em meus pensamentos, mergulhado nas minhas emoções, pensando e pensando...

Pensando em como retratar o fato feito, nas hipóteses de um dia perfeito, em um recomeço de algo desfeito, na distancia e na muralha que separam duas almas, que são fadadas a estarem juntas.

Pego o telefone, discando seu numero, ouço sua voz a meu saudar: ALÔ.
Na brevidade da respiração, meu coração disparado se encontra perdido, as mãos geladas, o frio no fundo do estomago, aquele nó na garganta sem explicação. E a coragem me abandona, e por medo eu desligo sem ao menos uma palavra pronunciar.

Mas fico com a sua voz na minha mente, ecoando, como se o ALÔ se desmembrasse para OI MEU AMOR!

Vaga meu pensamento, repouso a cabeça no travesseiro, deixo a divagação ir se findando, quando os olhos pesam e finalmente se cerram encontro-me agora no reino de Morfeus.

Espalho-me voando, sem direção entre colinas e bosques, entre prédios e avenidas, procurando entre milhares aquela que me faz sentir que tenho sangue correndo em minhas veias.

Como aqui posso quase tudo, começo a voar em direção ao firmamento, olhando abaixo de mim as pessoas caminhando como formigas, operárias de um grande formigueiro, fazendo o que deve ser feito, e esquecendo o que deve ser esquecido. Mundo de sonhos, quisera eu ser real. E lá no meio da multidão, a sua figura se destaca tão linda, bela, que posso até encontrar-te no meio dessa selva, e vou direto a sua direção.

Lá eu vejo, seu toque quente me faz perceber como estou vivo. Seu olhar me invade desvendando todos os meus segredos, agora estou aqui, despido de hipocrisias para que me vejas como realmente sou. Se é que há algo em mim que te atrai.

Suas mão se encontram com a minha, e com impulso faço o que deveria fazer em vigília, te prendo em meus braços, sinto sua respiração tocar a minha face, seu peito arfar com delicadeza, o sangue esquentar, e a todo o corpo responder de uma só forma,  fecho os olhos mais uma vez, procurando seus lábios, e quando os encontro, acordo ...

E vejo que deveria permanecer dormindo...


DR.

Há de existir,
Um espaço, um breve momento,
Um piscar de olhos,
Onde você não esteja.

Tem que acontecer,
Um segundo após a respiração,
Momentos de brevidade,
No instante que a gota da chuva
Toca o chão.

Tem que haver.
Tem que ser.

Minha mente liberta,
Flutua em espaços não conquistados,
Já estive aí antes,
Mas agora estou sendo afastado,
Abaixe as armas,
Deixe a muralha ruir,
Entrar em sua alma,
Deixa-me ir,
Ao fundo do seu ser.

Cadê você?
Essa noite vai sendo sugada,
Não dá, não paro de pensar,
Você, Você, Você;
É assim que meu ser
Começa a responder.

DR.

Hoje olho o horizonte,
As nuvens negras não se movem,
Parece tudo tão parado,
E aos pequenos passos me aproximo,
Do derradeiro destino,
Da vontade perpétua,
Do infinito destinado,
Aquilo que me foi pregado,
Rogado, orado, maltratado.

Maltrapilho, eu sou,
Em farrapos meu amor ficou,
Por entremeados de olhares,
Profundos pensamentos conectados,
Sabatinados pela Mestra,
A vida.

Ordenada como sacerdote,
Minha vida é conduzida,
Translúcida, pálida e anêmica.

Até esse momento, que me vejo,
O sangue a correr mais rápido,
A cor rubra voltar a minha face,
Meu olhar se tornar mais límpido,
E meu desejo se tornar mais claro.
Meu desejo é um só,
Você sabe qual é...

Eu espero que saibas mesmo,
Só assim poderei manter a cor,
A vida, a natureza que é progredir,
Só que sem ter você ao lado,
Tudo é tão cinza.

Ainda guardo a esperança em meu peito,
A esperança já contida,
A vontade desfeita,
Mas tudo parece se afastar, com a proximidade.
Essa antítese que é minha vida,
Singularidade não encontrada,
E com tantas coisas que se encaixam,
É uma pena essa fuga.

Há de chegar o dia,
Em que a volta será dada,
E o nosso encontro será a retomada
De uma jornada já esquecida,
Que será merecida,
Será linda,
Será a criação da própria VIDA.

DR.

"I never meant to cause you trouble
And I never meant to do you wrong,
And I, well if I ever caused you trouble
O no, I never meant to do you harm"

(Trouble - Coldplay)

Utopia.

Essa palavra define tudo que procuramos em nossas vidas. Acreditamos todos os dias ao deitar a cabeça no travesseiro que o dia de amanhã será melhor.

Engana-se!

Só existe o hoje. E por hoje entenda-se o instante em que você vive.
Quisera eu tentar entender essa guerra que usa como campo-de-batalha o meu íntimo. Lógica brigando com emoções, racionalidade contra sentimentalismo.

Até quando serei pego no fogo-cruzado?

Infelizmente, tenho uma mente muito racional, e o meu lado emocional apesar de sentir tudo com as dores do dia-a-dia e com a intensidade do infinito ainda é meio que autista.
Sente, sabe, é capaz, muito mais capaz que a média, só não consegue se expressar. Não consegue se manifestar para o mundo em que vivemos.

Aquele equilíbrio que buscamos todos os dias entre Mente e Coração, sempre é perturbado pela nossa insignificância e incompetência em sentir e saber.

Daí projetamos todas as nossas esperanças e anseios em terceiros, esperando o amigo perfeito, a namorada perfeita, a família perfeita. Bom, perfeito ninguém é, nunca vai ser, e se for, pode ter certeza que não é nesse mundo que vai encarnar.

Hoje eu vejo, o significado mundano de perfeito seria: Aquilo que nos traz felicidade, que nos faz bem, que nos é certo.

Quisera eu ser perfeito nessa proporção.

Quantas vezes acordamos arrependidos do que fizemos no dia anterior, e isso se torna algo tão longínquo que é impossível consertar? Quantos amores perdidos? Quantos sonhos desfeitos?

Quisera o ser humano ter uma máquina-do-tempo pra refazer seus passos. Aprender e corrigir seus erros. É um sonho, utopia!

Enquanto isso me recolho em meu autismo emocional, procurando um dia saber como expressar tudo isso que o turbilhão sentimental tem pra dizer.

DR.

Essa guerra que existe em mim,
Desde o momento em que olhei pra ti,
Por que voltei a ter isso?
Por que acontece de acordar,
Um monstro já adormecido?

Não há como desvencilhar-se
Dessa trama e de todo seu enredo,
Temos uma história, temos peso.
E o que fazemos?
Nada...

Há de existir uma oportunidade?
Chance, motivação ou igualdade?
É necessário o sofrimento para
Alcançar a evolução?
Ou somos tão imaturos que desejamos
Que separados fiquem nossos corações?

Hei de aprender a lidar com
Essa guerra travada em meu íntimo.
Eu mesmo saboto o que sinto,
E às vezes sucumbo a minhas emoções.

Se dependesses só de mim,
Assim não aconteceria talvez,
Mas depende de tantos fatores,
Os astros, a lua ou talvez,
Apenas de seus olhos encontrarem-se
Com os meus.

E num súbito instante de delicadeza,
Meus braços, como sem querer,
Envolver teu corpo junto ao meu peito.

Pisca os olhos pela madrugada a fora,
O sono que vem...
E os fantasmas no meu quarto persistem
Em me lembrar que eu ainda amo você.

DR.

No fundo do guarda-roupa, esconde-se um recanto absoluto de lembranças.
Cada instante de uma vida já passada... que repousa lá no fundo de minhas lembranças, soterrada por sentimentos que estão tão vivos que poderiam sair andando.
Abro aquela caixinha tão bem-fechada, cadeados e correntes que a cercam, e espalho seu conteúdo pela cama.
E o que se vê? Cartas, cartas e mais cartas...
Palavras sendo usadas para congelar os sentimentos daqueles momentos.
Congelados poderiam estar os mesmos, daí não doeriam mais.
Mas continuo a me punir, ao ler linha por linha, letra por letra todas elas, e aqueles momentos que já se foram, se tornam tão nítidos como na grande tela do Cinema.
Palavras, momentos, sentimentos, suor e lágrimas.
Risadas, estonteantemente linda.
O que o passado nos guarda, que a lembrança nos traz.
A vida é um presente continuo, machucando dia-a-dia, aquele que teima em manter memórias.
Eu então, sofro pelo mal da memória, sou amaldiçoado com memória de fatos.
De atos!
De abraços, beijos e carinhos trocados.
De brigas, tristeza e de separação.
De tudo que já se foi e me fez hoje o que sou.
Mas algumas coisas ainda pesam muito nessa vida presente.
Aquelas coisas que gostaríamos que fosse realmente o nosso PRESENTE.

DR.

O quem me é por espanto,
Aquilo que não compreendo mais,
E o pensamento vagando,
Procurando um descanso,
No alto de um morro,
Onde vejo os pastos e vastos matagais.

Dentre outras alternativas,
A lama da vida, parada e inerte,
Como a vida se sente,
Ao ter e desejar algo que está
Longe da mão e da alma.

Tão presente no coração e na força,
De desejar e amar,
Paixão incontida, que não fica
Nem vai.
Destinada a trilha, a inconstante
Curvatura da correnteza ribeirinha.

Vá, e não há,
Volte agora e já,
Sem que nada mude ou tudo mude,
Mostre o crescimento e a poda
Das ervas mal-cultivadas,
Do acaso da nossa estrada.

DR.

"Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva"

(Toquinho - Aquarela)

Outro dia vi  uma frase em um blog de um camarada:

“Alguém, por favor, pode me emprestar um lápis?
Cansei de escrever com caneta!”

E isso me fez refletir sobre os aspectos da nossa vida.
Toda nossa vida é feita com lápis, as moléculas de carbono que compõe o nosso ser estão também presentes na grafite, e elas são facilmente decompostas, quebradas ao se passar uma borracha.
Semelhança acontece com as lágrimas na grafite, a grafite é como nossos sentimentos e experiências são gravadas, e as lágrimas é a borracha a nos socorrer dia-a-dia.
A grande questão é que mesmo apagando todo o traço do lápis, a pressão que usamos para construir aquela frase, ainda existe no papel, marcada, tão profunda que isso realmente não irá sumir.
O fazer crer em algo profundo é também tentar demarcar o seu espaço no Universo. Sabe-se lá quando alguém irá te dizer algo tão possível e importante que você queira reescrever por sobre as marcas do papel, com a tinta que não sai mais.
Se isso ainda existir no dia de hoje, a não ser dentro de minh’alma, eu já não sei. Mas não vou desistir fácil, sou sonhador.
E persistente naquilo que eu quero. Tão persistente que chego a me considerar tolo algumas vezes.
Mas se não o fizer, quem o fará?
Sou eu por eu mesmo tentando abrir algo além mar.
Enquanto isso fico aqui trocando a grafite dessa lapiseira que é a vida, na esperança de que ela não quebre no meio da frase, ou que eu não tenha que corrigi-la, pois a dor de sobrescrever algo é comparada a uma reação nuclear.

DR.




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