Horizonte, linha divisória
Onde a imaginação alcança,
Onde minha mente aporta,
O que mais poderia dizer,
Se não da esperança de ultrapassar.
Limites e margens, e infindas
O meu olhar.

Talvez navegando,
Em direção do Sol no limiar,
Possa chegar mais próximo,
Bem perto a pronto de abraçar,
A Lua a surgir no firmamento,
Ou o Sol a se esconder dentro do mar.

Infinito em mim eu sou,
Até quando não sei,
Se determinasse tudo,
Já estaria enterrado,
Absorto e Mudo.

Não sou assim,
Tenho tanto pra dizer ainda,
Espero um dia que todos
Possam entender as minhas
Mal formadas idéias.

DR.

Expresso-me,
Como as cinzas se expressam,
Após o braseiro sumir.
Sinto, vou a mesa, digito,
Rabisco ou mesmo ensaio em escrever.
Mas o que foi sentido e tem que virar palavras,
Viram apenas cinzas perto do fogo que deu origem.

Se vês aqui uma fagulha, saibas que é bem maior
Em sua raiz, em seu inicio.

Mas que é do homem senão pensar e articular?
Muito de um homem é um menino assustado,
Procurando ser aceito, acariciado,
Ganhar um presente um pouco mais caro.
É, esses somos nós.
Crianças que tem corpos crescidos,
Mas que em seu íntimo são apenas isso,
Crianças.

E na falta de aceitar esse lado menino,
E encarar seu lado homem crescido
É que provocam-se as magoas.
Até quando há de ser assim?
Quando será que teremos que matar lobos,
E apenas sentar em uma mesa de bar,
Pedir um suco ao invés de uma cerveja,
Dizer poesia ao invés de futebol,
E não tentar mostrar masculinidade só
por assim ser, pra outro homem ver?

Deixo tudo isso pra lá.
Homem é aquele que sabe sentir,
Menino é como cresço, sou inteiro.
Homem-Menino, Menino-Homem, Crescido ou Criança.
O importante é sentir, e não ressentir.
O importante é demonstrar e não ocultar.
Pense...
Um dia tudo isso fará sentido,
E quando o fizer, lembre-se...
Pode ter sido um pouco tarde
E não haverá colo de mãe para chorar.

DR.




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