A estampa da vida da gente,
Definida no compasso certo do tempo,
Os minutos passando tão lentamente,
Os segundos sempre apressados em correr contra si.

Deitar-se normalmente e esperar,
Sem julgar ou dar valor a coisas pequenas,
Mas coisas sem motivos são as que mais machucam,
Sem saber do porvir que há de ser.

E quando a saudades bate no peito,
A dor da perda se faz presente,
O momento de ontem já não é mais perene,
Ausenta-se de todo o estado de graça que havia.

O projetar uma vida sem alguém,
O dizer que perderás o amor a que manifestas,
Dizer que não haverá de ser novamente feliz,
Desistir e deixar-se encerrar por coisas banais.

O mal vasculha o peito procurando morada,
Faz de nós o ímpeto e a arma mais perfeita,
Para disseminar seu veneno de boca em boca,
Até não mais existir salvação.

Mas ao ver o súbito destino de cada um,
E somente pensar que isso pode acontecer,
Acomete em meu peito a dor de perder-te
E de vagar sozinho pelas ruas, sem poder ver-te.

E quando tudo mais se fizer inútil,
Quem sabe o encontro de nossas almas seja o único,
Destino verdadeiro a encarar os fatos,
De que não há como viver sem você.

DR.




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